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Julho de1999

Joaquim A. P. Baraona

 

 

Atílio Santini Uma referência de integridade

Atílio Santini é uma referência pela nobreza de carácter, pela natural simpatia e afabilidade que irradiava, com a simplicidade só possível às figuras de excepção.

O permanente sorriso que cativou gerações de todas as camadas sociais; o respeito que impunha e com que tratava todos quantos dele se aproximavam: crianças, velhos, ricos ou pobres; personalidades da Nobreza ou de modesta condição social, conquistou ao longo da sua vida inúmeras a grandes amizades.

Católico convicto, Santini foi um Chefe de Família exemplar, num casamento por amor com D. Isabel Catalan Saez.

Santini não apenas por fazer os melhores gelados do Mundo, mas pela sua integridade, pela honestidade a educação que o caracterizava, foi, ao longo dos anos, construindo a sua própria vida, não se poupando a esforços, rodeando a Família, Esposa Isabel, sua Filha e genro, Maria Isabel e Eduardo e os netos a quem adorava, Eduardo César e Ricardo Manuel, de todo o conforto e carinho, sempre com a Fé em Deus própria de quem tem a consciência do dever cumprido.

Escrever sobre Atílio Santini é para mim muito difícil, já que nos ligava uma sã e pura amizade de algumas décadas e, ao longo de muitos anos, me habituei a ter por esse homem simples, mas extraordinário Ser Humano, um carinho e admiração que firmou uma amizade sem limites, iniciada, aliás, num momento difícil da sua vida.

Tomar um gelado no cantinho onde D. Isabel nos acolhia com um enorme sorriso fraternal e Santini trazia a garrafa de conhaque para deitar um bocadinho no gelado, dizendo que assim ainda fica melhor, são momentos inesquecíveis.

A figura vestida de branco, sempre com uma palavra ou um gesto amável, para quem passava ou se dirigia à sua loja, tornaram a sua presença algo que a todos faz falta ainda hoje.

Porque, como disse, tenho dificuldade em dizer o que sinto e mais ainda em definir a figura que foi o Homem Bom que era Atílio Santini, limitarme-ei a transcrever um pouco do que consta no I volume da enciclopédia Personalidades, editada em 1995:

Santini pela afável simpatia que irradiava, manteve a amizade daqueles que ainda crianças começaram a saborear os seus gelados no Tamariz e mais tarde vieram a ser grandes figuras nacionais ou internacionais, era frequente ver este Homem simples, e com o maior à vontade e o ar mais modesto do Mundo, em amena conversa com Ministros, Membros do Corpo Diplomático, grandes figuras socais, com Famílias Nobres e Titulares e mesmo com Membros das Casas Reais, como, aliás, se demonstra com algumas fotografias que publicamos. Destacamos de forma muito especial, Suas Majestades os Reis de Espanha, que, tratavam Santini com a maior simpatia e um enorme carinho, sentando-se à sua mesa em "amena cavaqueira", o mesmo sucedendo com Sua Alteza a Infanta Margarida, por quem Santini tinha urna amizade, carinho a admiração muito particulares. Não é certamente apenas pelo sabor dos gelados que o relacionamento pessoal de Santini com sua Majestade o Rei de Espanha, que conhece desde muito jovem, lhe permite o tratamento de “Juanito” Não. Santini no contacto e convívio sempre tratou os Membros das Casas Reais que de há muito viviam na região do Estoril, com o afável respeito que lhes eram devidos, embora com a natural e cativante simplicidade que lhe era característica, conquistando, por isso, a sua amizade, especialmente dos jovens Príncipes, alguns então ainda crianças, como é o caso de Don Juan Carlos, actual Rei de Espanha ou de sua lrmã a lnfanta Margarida, Duquesa de Sória.
Concluí, dizendo naquele livro:
Santini foi uma Personalidade cujo nome se perpetua no tempo, um exemplo na Família e, acima de tudo, na lealdade para com os amigos, no respeito para com a vida, dando sem pensar em receber, respeitando por dever e não por obrigação, mantendo-se em todos os momentos sempre igual: alegre, generoso, amável e respeitador, sem subserviência, com personalidade própria firmada numa natural simplicidade e sólida formação moral e religiosa.

Ao editar-se a presente obra da autoria da Drª Clara Pavão Pereira e do Dr. João Cabral, com a comovedora nota de Eduardo Santini, comemorando meio século da Casa Santini, não podemos deixar de felicitar os autores, historiadores, ligados à cultura e a quem Cascais muito deve em tão importante sector; a toda a Família Santini, filha, genro a netos, que com a maior dignidade têm prosseguido a honrado o

trabalho de Atílio Santini.

Este livro pela forma a conteúdo é mais do que a biografia de um homem que se projectou no tempo, já que através dele se documenta muito da história da Costa do Estoril, duma época e se dá a conhecer uma figura que foi um exemplo de generosidade, simpatia, dignidade a moral cristã. Para finalizar devo apenas saudar a memória de Atílio Santini e pedir a Deus, que o seu exemplo de Homem Bom sirva de referência neste mundo onde prolifera o egoísmo e o desrespeito pelos autênticos valores morais.